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domingo, 9 de março de 2025

JORGE AMADO - Cordel

 

JORGE RIMADO 10.08.1922 //\\ 06.08.2001

100TENÁRIO DE NASCIMENTO DE JORGE AMADO a03

         O inspirador de ilusões

*

Nascido em Itabuna,

Este inspirador de ilusões,

Mas foi na encantada Ilhéus

O palco de suas produções,

De lá, saíram os romances

De grandes repercussões.

*

No Rio, estudou direito

E se tornou jornalista

Isto lhe abriu espaço

Para virar comunista,

Mas a consagração mesmo

Alçou como beletrista.

*

Neste agosto se comemora, (2022)

Os cem anos de Jorge Amado,

Poeta, dramaturgo, cronista,

Foi escritor aclamado,

Da geração modernista

Entendia bem do bordado.

*

Teceu Tenda dos Milagres;

O País do Carnaval;

Dona Flor e Seus dois Maridos,

Deu filme fenomenal,

Em Gabriela, Cravo e Canela

Cantou sexo, folia e cacau.

*

Mas não para por aqui

Sua produção literária

São quarenta e nove livros

Em toda labuta diária

`Bordando´ até aos oitenta e oito

Cacau, a Bahia e pecuária.

*

Jorge Amado, autor jardineiro,

De texto farto e fecundo

Farejava lugar, gente e cheiro

Pra escrever num segundo

Por isso é o autor brasileiro

Mais publicado no mundo.

*

Simpático ao candomblé,

No entanto materialista,

Na política seu canto é

Na militância comunista,

Daí a injustiça social

Ter preferência em sua lista.

*

Outros temas que louvo

Em sua eclética literatura

É a sensualidade do povo

Apresentada sem censura

E as crenças e tradições

Da nossa opulenta cultura.

*

Sintetizo esta seção

Citando o que li nos anais,

Que sua moderna ficção

Tem raízes nacionais

É uma das mais significativas

Da galeria dos imortais!

*

Escritor profissional

De disciplina e aguda mente

Da literatura, sua paixão,

Viveu exclusivamente

Dos direitos autorais

Até se tornar jazente!

*

Pertenceu à segunda fase

Do modernismo brasileiro,

Era a década de trinta

De crise no mundo inteiro,

Por causa da depressão

Aqui e no estrangeiro.

*

Além da queda da bolsa

Houve a crise cafeeira,

Deixando muito coronel

Sem dormir a noite inteira,

Tendo em vista o grande risco

De acordar sem eira e nem beira.

*

Foi a partir desse contexto

Que surgiu o despertar

Por um texto mais brasileiro

Bravo, vivo e de se encantar

Cantado num tom brejeiro

No Brasil e no além-mar!

*

Casado com Zélia Gattai

Também escritora imortal

Que o sucedeu na Academia

Neste momento crucial

Vivendo ao seu lado

Até o instante final.

*

Teria muito a dizer

Sobre este escritor renomado,

Mas quando dei por mim...

Cadê o espaço? Acabado!

Ainda bem que escrevi

O melhor do biografado

Em versos de quase-cordel

Que os chamei JORGE RIMADO!

.........

Airton Soares

07.06.2024

 

terça-feira, 13 de maio de 2008

29 - Gabriela: uma cinqüentona na flor da idade




ASTIER BASÍLIO
Jornal da Paraíba – 13/05/2008
.


NA TELA - Aos 25 anos, Sônia Braga personificou Gabriela na TV e sua imagem se mantém até hoje


Faltavam dois dias para o jantar que celebrava a instalação da linha das marinetes entre Ilhéus e Itabuna. Seu Nacib, o comerciante turco, não se importava muito com a tragédia que abalava a cidade, a morte de dona Sinhazinha Guedes e o amante, o dentista Osmundo, assassinados pelo coronel Jesuíno Mendonça, que com o ato lavava sua honra de marido traído.

É assim que começa o romance Gabriela Cravo e Canela, de Jorge Amado (1912–2001). A obra completa, neste mês de maio, 50 anos de publicação.

Mais do que uma historiazinha de amor entre o turco Nacib e a cozinheira Gabriela, retirante fugida da seca e encontrada no “mercado dos escravos”, o romance mostra o confronto entre duas perspectivas políticas: a progressista, representada pelo exportador de cacau, o forasteiro Mundico Falcão, contra os conservadores, liderados pelo coronel Ramiro Bastos.

Celebrada na televisão, através de uma novela exibida na Rede Globo em 1975 (antes houve uma adaptação para a TV Tupi, em 1960) e no cinema pelas mãos de Bruno Barreto, em 1983, nesses dois momentos a imagem da personagem ganhou forma e beleza através da atriz Sônia Braga, com 25 anos na época da novela. Além do cinema, Gabriela também virou fotonovela, espetáculo de dança e história em quadrinhos.

Gabriela Cravo e Canela foi traduzido para mais de 30 línguas entre as quais hebraico, persa e ucraniano. Até hoje são 80 edições da obra.

Para o professor de literatura Chico Viana, Gabriela é um romance mais bem composto. “Como diria o Osman Lins, o romance se caracteriza por criar um universo próprio. E nesse livro Jorge Amado dá receitas, cita trechos de jornal, enfim, uma série de elementos, além de personagens verossímeis”, conta.

Se hoje em dia a imagem de Sônia Braga é quase indissociável da personagem Gabriela, sua escolha foi motivo de crítica do dramaturgo Plínio Marcos. Ele disse, no jornal A Última Hora, que era para a TV Globo ter escalado uma mulata, e não mandar Sônia Braga ir à praia se bronzear.

O tempo mostrou que o carisma de Sônia Braga sobreviveu, inclusive, à desastrada adaptação ao cinema. Conta-se que Jorge Amado poderia ter tido alguma influência na escolha do papel para Sônia Braga.

Uma vez perguntaram isso a ele. Jorge não perdeu o humor e disse: “Ah, eu escolhi a Sônia, porque ela é minha amante”. Era uma brincadeira, mas na dedicatória do livro, o escritor, que tanto amava as mulheres e quem dedicara vários outros livro, já tratava de fazer uma média com sua esposa e escrevia: “Para Zélia, seus ciúmes (...)”.

Na opinião do professor de cinema da UEPB, Rômulo Azevedo, o filme de Bruno Barreto é “lastimável”. “Por incrível que pareça, a adaptação para televisão é muito melhor. O Nacib do Mastroianni é muito fraco; o Armando Bógus dá de dez a zero. Bruno Barreto foi melhor em Dona Flor e Seus Dois Maridos (outro romance de Jorge Amado)”, opina Azevedo.

No final do romance, o coronel é condenado, Mundico Falcão torna-se o líder político e Gabriela, que se casara com seu Nacib, se separara, volta ao aconchego de antes com a liberdade que unia inocência e sensualidade, na cozinha do turco, para a felicidade geral do povo de Ilhéus.