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domingo, 16 de março de 2025

VIVA A LEITURA - CORDEL - DALINHA E JOSENIR

 25 03-16

VIVA A LEITURA!

Autoras: Josenir Lacerda

Dalinha Catunda

1.

Vinde musa inspiradora

Pois é chegado o momento

De relatar nesses versos

O que dita o pensamento

E demonstrar gratidão

Lembrando cada lição

Da fonte do ensinamento.

2.

Uma fonte cristalina

Feita de letra e papel

Que tem diversos formatos

Comporta assunto à granel

É suporte no estudo

Pois oferta conteúdo

Quer seja livro ou cordel.

3.

Pois antes das grandes mídias

Entre as quais, televisão

O livro se destacava

Repassando informação

Cada página virada

Era uma história contada

Suprindo a imaginação.

4.

O encanto continua

E não há como negar

Ler um livro na internet

Não é como folhear

Sentir o mesmo na mão

Traz à tona a emoção

No contato singular.

5.

E desde as primeiras letras

O livro é bom timoneiro

Para quem visa crescer

É sinal alvissareiro

Pois ele com sua luz

Para o melhor nos conduz

É trilha, rumo e luzeiro.

6.

Na infância, uma cartilha

Nos ajuda a desbravar

O vasto mundo das letras

Para a mente clarear

E de letrinha em letrinha

Toda criança engatinha

Aprendendo a soletrar.

7.

E assim brota a palavra

Que gera frase e oração

Abre as portas da leitura

E amplia a nossa visão

Quer seja em prosa ou em verso

Clareia o nosso universo

Nos tira da escuridão.

8.

Quem tem um livro na mão

Tem a chave do saber

Cada lição repassada

É um mundo a conhecer

Do doutor ao aprendiz

Quando lê sabe o que diz

E o que se deve fazer.

9.

Nas mãos d'uma professora

O livro serve de guia

Definindo regiões

Se a aula é geografia

Mostrando rios e mares

E os mais diversos lugares

Em lição que contagia.

10.

No momento da pesquisa

O livro vem ajudar

A ele nós recorremos

Para informes encontrar

Seja qual for a temática

De maneira firme e prática

Ele vem assessorar.

11.

Seja na prosa ou no verso

Viajamos na história

Lendo fatos relevantes

Que guardamos na memória

Temas do nosso passado

Que no livro é registrado

Lutas de fracasso e glória.

12.

O livro é bom professor

Pois ensina conjugar

Verbos em todos os tempos

Pra conversa aprimorar

Hoje, passado e futuro

Quem captar com apuro

Aprende a dialogar.

13.

Quem se dedica à leitura

Garante a facilidade

Na hora de escrever

Não sente dificuldade

Quem é assíduo leitor

De ser um bom escritor

Cria a possibilidade.

14.

A leitura rasga o véu

Do olhar retira a venda

Quem tem costume de ler

Abraça encantada lenda

Sendo o livro boa fonte

A leitura vira a ponte

Que um novo mundo desvenda.

15.

E nada como voar

Nessa mágica aventura

Chegar até *Avalon

Sobre as asas da leitura

E com os deuses e fadas

Fazer lúdicas jornadas

Sobrevoando a cultura.

16.

A leitura nos eleva

Ao mais alto patamar

E nos mostra o universo

Sem sairmos do lugar

O livro faz o roteiro

Mesmo com pouco dinheiro

Conseguimos viajar.

17.

A criança deve ser

Logo cedo incentivada

As histórias infantis

Atraem a meninada

Que vendo tanta magia

Mergulham com alegria

Nesta lagoa encantada.

18.

Quem não guardou na lembrança

Histórias de antigamente

Do tempo que os animais

Conversavam feito gente

Sempre tinha alguém que lia

E a criançada sorria

Divertindo-se contente.

19.

O folheto de cordel

É opção de leitura

Pois ele igualmente um livro

É informação e cultura

Singelo na aparência

Porém rico na essência

Oferta a mesma estrutura.

20.

Ele que já foi leitura

Importante no sertão

Rimado e metrificado

Era a maior atração

Em terreiros e calçadas

Histórias lidas, contadas

E ouvidas com atenção.

21.

Hoje o cordel aparece

Com uma nova roupagem

Cada leitura repassa

Uma oportuna mensagem

Nas escolas é chamado

Para levar seu recado

De literária bagagem.

22.

O bom livro quando surge

Já traz sagrada missão

De passar conhecimento

E a luz da compreensão

Na cabeceira ou estante

Os seus préstimos garante

Qual bom guerreiro em ação.

23.

Tudo que a gente quiser

Um bom livro pode ser

Talentoso professor

Para quem quer aprender

Guru, mestre e confidente

Amigo, sócio, parente

Fonte de paz e prazer.

24.

O livro é pois, grande amigo

Sincero, bom, competente

É certo na hora incerta

Traduz o que a gente sente

É mesmo um bom companheiro

Cativante, verdadeiro

Discreto, doce e silente.

25.

Quem deseja competência

E busca sabedoria

Põe no livro de leitura

Seu dever de cada dia

Faz dele um novo horizonte

E busca a sagrada fonte

Que em cada folha se cria.

26.

O livro em silêncio fala

Sem jamais pedir segredo

Porque tudo que ele diz

Transpõe a cerca do medo

Pois vem da inspiração

Da mente e do coração

De quem pensou o enredo.

27.

Na história da cultura

O livro é protagonista

Desempenha o seu papel

Como faz o bom artista

Do cântaro do talento

Derrama o doce alimento

E o leitor assim conquista.

28.

Por mais que a gente fale

Sobre o livro, inda não basta

Seu valor é infinito

Valorosa é sua casta

O livro é aura divina

Que sobre o leitor se inclina

E sutilmente lhe arrasta.

29.

O livro é um grande exemplo

De modéstia e humildade

Embora tão poderoso

Investe em simplicidade

Doa-se no conteúdo

Supre pesquisa e estudo

Sobra em generosidade.

30.

Vamos exaltar o livro

Abraçar forte a leitura

Voar nas plumas douradas

Que envolve a literatura

Mergulhar nesse universo

De ensino, prosa e verso

Pois ler é grande aventura.

31

Assim sendo, nestes versos

Querido livro, obrigada

Por ser seta, foco e luz

Nessa cultural jornada

Clarão no nosso arrebol

Lanterna, lume e farol

No curso da caminhada.

32

Ao livro amigo devemos

Declarar o nosso amor

Cuidar dele com carinho

Ser guardião, seguidor

Divulgar sua nobreza

Seu valor, sua beleza

Ser mesmo um fiel leitor.

Crato, maio 2017

Cordel da autoria de Dalinha Catunda e Josenir Lacerda

Xilo de Maécio Maércio Siqueira


NA ESTAÇÃO DA SAUDADE - CORDEL - DALINHA

 25 03-16



NA ESTAÇÃO DA SAUDADE
*
Quantas histórias bonitas
Teve o trem em seu roteiro
Mas o descaso acabou
Com o trem de passageiro
Inda vejo o trem passar
Nos trilhos do meu lugar
Mas é apenas cargueiro.
*
Como não sentir saudades
Da vida no interior
Do trem que ia e voltava
Levando e trazendo amor
Do choro na despedida
Que havia em cada partida
Na face do sonhador.
*
Escuto um apito ao longe
É só imaginação
Pois nos trilhos da saudade
Balança meu coração
Em cada vagão lotado
A lembrança do passado
Sacode minha emoção.
*
As bancas das cafezeiras,
Bancos e bilheteria,
A sineta pendurada
Que no horário batia
Carreteiros de plantão
Disputavam na estação
Cada mala que descia.
*
Hoje as velhas estações
Testemunham a história
Da rede ferroviária
Que teve dias de glória
Conduzem nossa emoção
Quando apita a recordação
Sacolejando a memória.
*
Versos e foto de Dalinha Catunda
Foto da postagem de Edmar Passos

terça-feira, 11 de março de 2025

O TETEÚ ME AVISOU - Dalinha Catunda

 25 03-11


O TETÉU ME AVISOU
*
Quando o tetéu fez zoada
Eu olhei para a porteira,
E vi meu amor chegando
Meti os pés na carreira
Foi tanto beijo e abraço
Que me deu até tonteira.
*
Entre nós dois se jogou
Nosso cão de estimação
Um querido vira-lata,
E que atende por Barão
Latindo e abanando o rabo
Mostrando satisfação.
*
E tem galinha caipira,
Vai cheirar lá na panela
Vou fazer como ele gosta,
Com pirão e à cabidela
E vou separar pra ele
O coração e a moela.
*
Uma cachacinha tem,
E cajá vou já buscar.
Um suco bem refrescante,
Ligeiro vou preparar,
Vou caprichar no almoço,
Sem me esquecer do jantar.
*
No terreiro à noitinha
Vai ter dança e cantoria
Para celebrar a volta,
De quem é minha alegria
Pra ele vou declamar
A mais bela poesia
*
Mas a festa só se acaba,
Ao matar a minha sede.
Suando junto com ele
No balançado da rede.
O armador que se aguente!
Pra não cair da parede.
*
Versos de Dalinha Catunda

segunda-feira, 10 de março de 2025

MULHER, DIFUSÃO E CORDEL - Dalinha Catunda

 25 03-10



MULHER, DIFUSÃO E CORDEL.
*
Antigamente a mulher
Apenas lia cordel.
Depois passou a ser musa
Nos versos do menestrel.
Querendo contar história
Tirou versos da memória,
E passou para o papel.
*
Fim de tarde na calçada
Nos mais diversos rincões,
As tias, avós e as mães ,
Difundiam tradições .
Naquele entretenimento,
Passavam conhecimento,
Para as novas gerações.
*
E foi assim que aprendi
A gostar de versejar
Minha mãe é poetisa
Tia Isa, de contar
As histórias de princesa
Eu achava uma beleza
Hoje vivo a recontar.
*
Ser musa era muito pouco
A mulher queria mais.
Contar apenas histórias
Feria seus ideais.
Queria escrever também,
Poderia ir além,
Em tudo via sinais.
*
Disposta pegou a pena,
Sem ter pena de escrever,
Resgatou lá da gaveta,
O que chegou a esconder.
No presente está escrito,
Que a mulher deu o seu grito
E o que faz é com prazer.
*
Versos e foto de Dalinha Catunda

segunda-feira, 3 de março de 2025

NÃO DEIXE O HOMEM BATER, NEM EM SEU ATREVIMENTO! - Dalinha

 25 03-03





Por Dalinha Catunda

Cordel para a mulher que quer viver um , DAQUI PRA FRENTE.
NÃO DEIXE O HOMEM BATER,
NEM EM SEU ATREVIMENTO!
1
Desde pequena eu ouvia
Nas declarações de amor
Que não se bate em mulher
Nem mesmo com uma flor
E para viver comigo
Com sinceridade digo:
Cuidado com o andor.
2
Não nasci para apanhar,
Nunca fui uma qualquer.
Respeito é bom e eu gosto
Isto toda fêmea quer.
Se quiser ser respeitado
O meu recado está dado,
E é conselho de mulher.
3
Homem que bate em mulher
Com toda sinceridade
É um projeto de homem
Não é homem de verdade
E a mulher que é surrada
Também chamo de culpada
Por sua cumplicidade.
4
Quem apanha uma vez,
Vira saco de pancada.
Se ele alterar a voz
Procure logo a estrada.
Botar culpa na bebida,
É tática conhecida
E desculpa esfarrapada.
5
No começo são palavras,
Depois vem o palavrão.
E com a voz alterada
Ele vem e senta a mão,
A mulher que é dependente,
Apanha de quebrar dente,
E esconde a situação.
6
Se por ventura apanhar,
Calada não fique não,
Apronte um grande escarcéu
Para chamar atenção,
Alguém vai se apiedar
Por você testemunhar
Na hora da precisão
7
Não cale pra proteger,
Os seus filhos e seu lar.
Depois da primeira surra
Muitas mais irão chegar.
Mantenha a dignidade
Fuja da infelicidade
De querer compactuar
8
Acorde enquanto é tempo,
Tenha determinação.
Um pouquinho de amor próprio
Ajuda na decisão,
Vá procurar nova vida
Com a cabeça erguida
Pra tudo tem solução
9
Hoje já existem leis,
Para socorrer mulher
Que deve ser atuante
Quando o momento requer.
Com a Maria da Penha
No macho se desce a lenha
Do jeitinho que a lei quer.
10
E não fique constrangida
Em procurar seu direito,
Pois quem maltrata mulher
Jamais será bom sujeito
Merece mesmo prisão
E não tenha compaixão
Só cadeia dará jeito.
11
Quanto mais você agüenta
Mais a coisa fica torta.
Hoje vai pro hospital,
Amanhã pode estar morta.
Morar com quem lhe condena
OH Mulher! Não vale à pena,
Tranque de vez sua porta.
12
Não pensem que estou falando
Do chamado cidadão.
Que cumpre com seus deveres,
Que conhece obrigação.
E por ter dignidade
Dispensa a tal crueldade
Sabe bem o que é razão.
13
Está nas mãos da mulher
Os direitos que ela tem.
Cúmplice da violência,
Tal papel não lhe cai bem
Compete a ela se impor
E mostrar o seu valor
Como de fato convém.
14
Quando a coisa ficar preta,
Procure a delegacia.
O Boletim de Ocorrência
É mesmo uma garantia.
Em seguida abra um processo
E nada de retrocesso
Acabe com a agonia.
15
E quando for ao juiz,
E o mesmo lhe perguntar:
Vai retirar o processo?
Pretende continuar?
Prossiga com sua luta
Altiva e bem resoluta,
E nem pense em fraquejar.
16
Nunca pense em piedade,
Prossiga firme em frente
Sendo assim construirá
Um mundo bem diferente
Moldando a sociedade
Trazendo pra realidade
Um homem mais consciente.
17
A velha submissão
Não tem significado.
A mulher emancipada
Tem profissão e mercado.
Mas tem homem que duvida,
Que a história dessa vida
Já tem um novo traçado.
18
Foi-se o tempo em que mulher
Babava seu travesseiro,
Pois abortando seus sonhos
Chorava o dia inteiro.
Sendo hoje alforriada
Não deve ser humilhada
Já basta de cativeiro.
19
Mulher, bastante atenção,
Vive-se novo momento,
Não deixe o homem bater
Nem em seu atrevimento!
Se o homem perde a razão
Levantando sempre a mão
Tenha seu discernimento.
20
Quantas Marias se foram,
Por causa da violência.
Dê um basta nesta história,
Já chega de complacência
Não baixe mais sua crista,
Canto de galo machista
Está fora de evidência.
21
Escreva nova história
Tenha mais dignidade
Foi-se o tempo da Amélia,
Reina hoje outra verdade
Onde a mulher é guerreira
Levanta sua bandeira,
Diante da realidade.
22
Não quero ver estampado,
Seu retrato no jornal.
Esta violência toda,
Garanto não é normal.
Não quero chorar de pena
Vendo você no Datena
Numa ocorrência fatal.
23
Nunca seja alvo de bala,
E nem morra estrangulada.
Não quero ouvir o seu grito
Bem na hora da facada.
Aprenda a se defender
Use todo seu poder,
Não fique paralisada.
24
Não ature violência,
Diga adeus à sujeição.
A lei Maria da Penha
Tem a nova geração,
Esqueça o tempo da peia
Covarde é bom na cadeia
Para amansar na prisão.
25
Louvo Maria da Penha
Que teve garra e lutou.
Uma lei muito importante
Para mulher conquistou.
Dedico-lhe este cordel
Mulher de nobre papel
Que a história registrou.
*
Cordel de Dalinha Catunda
Xilo de Erivaldo Ferreira